O que define a falência de um sistema público não é a ausência de leis, mas a seletividade de sua aplicação. Em Balneário Camboriú, um morador que aguarda há quinze anos pela resolução de um crime de perseguição e stalking não está apenas esperando pela justiça; está sobrevivendo a um cerco que utiliza a estrutura do Estado como arma de desgaste.
A Anatomia da Espera: 15 Anos e Três Gestões
Viver quinze anos sob denúncias diárias de stalking e perseguição política, jornalística e sexual é uma forma de tortura psicológica institucionalizada. Atravessamos nove anos da gestão de Fabrício Oliveira e entramos no ano decisivo de 2025 sob o governo de Juliana Pavan. A pergunta que ecoa nas ruas da cidade é: como o aparato de segurança, que se encontra a apenas cinco ruas de distância de um foco de conflito, permite que o tempo se torne o maior cúmplice dos agressores?
A cobrança política sobre a atual gestão não é apenas por eficiência, mas por ética. Se 2025 é um marco temporal — onde as irregularidades eleitorais e as candidaturas fictícias (como o caso das candidatas "laranjas") vieram à tona — este também deve ser o ano da ruptura com a omissão histórica.
O Papel da Testemunha no Olho do Furacão
Ser vizinho de frente de uma candidata investigada (Rozelia) e testemunha-chave em processos que envolvem o equilíbrio da Câmara Municipal coloca o cidadão em uma zona de vulnerabilidade extrema. O incidente ocorrido em 8 de março de 2026, onde uma abordagem policial se ocupou de um "cigarro apagado" enquanto crimes hediondos como a exposição de crianças por parte de stalkers permanecem sem perícia, é o retrato fiel da inversão de prioridades.
A retificação do policial, ao admitir o erro de rotular este autor como "esquerdista" — ignorando uma filiação ao PL que remonta a 2016 — serve como prova de que o julgamento ideológico tem turvado a visão técnica da segurança pública.
A Fronteira Inegociável: Família e Capacidade Cognitiva
Nenhuma disputa política ou institucional justifica o avanço sobre familiares com capacidades cognitivas específicas. O stalking atinge seu nível mais abjeto quando utiliza a vulnerabilidade de parentes para coagir quem se dispõe a falar a verdade em juízo. Proteger essas pessoas não é uma opção do governante, é uma obrigação civilizatória.
O pedido para que o vereador Jair Renan Bolsonaro registre em ata o limite dos fatos a 2025 é uma tentativa de blindar a história contra distorções (364 dias em que nada consta). É preciso separar o joio do trigo: a infração administrativa irrelevante do presente não pode apagar a densidade dos crimes denunciados na última década e meia.
Conclusão: A Perícia que o Estado nos Deve
A segurança pública não pode ser um privilégio de quem detém o poder, mas um direito de quem o fiscaliza. A omissão diante do stalking e da exposição de crianças (o mais grave de tantas denúncias pela suscetibilidade e organização que pode dar amparo para pedofilia de desconhecidos), enquanto se gasta energia com o micro-incidente, é o argumento que nenhuma força policial — seja ela Militar, Civil ou Federal — conseguirá sustentar diante da história.
Exigimos que 2025 seja, de fato, o ano da resolução. Que a perícia nos dispositivos dos stalkers seja realizada e que a rede de proteção às testemunhas e aos vulneráveis saia do papel. Balneário Camboriú não pode mais esperar mais quinze anos para descobrir que a justiça tardia, neste caso, é a própria injustiça institucionalizada.
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