domingo, 1 de março de 2026

O ESPELHO DA REPÚBLICA E O VAMPIRO DE GABINETE

O ESPELHO DA REPÚBLICA E O VAMPIRO DE GABINETE

Haverá quem diga que a perda da prefeitura em 2025, após dezesseis anos de um noivado administrativo sem manchas, foi um desastre. Ora, visões de superfície! O Partido Liberal, em sua majestade municipal, apenas trocou o peso da coroa pelo conforto da luneta. Pois o que se viu naquelas urnas foi um espetáculo de equilibrismo: o povo negou a chave da dispensa à majoritária, mas entregou o chicote do Legislativo ao herdeiro de um sobrenome proscrito em Brasília.

A Alcova do Estado-Vampiro

O governo central, esse Cafetão de Impostos com sotaque de salvador, descobriu que é mais barato monitorar o coração do catarinense do que consertar-lhe as feridas. Sob a máscara da "Defesa da Ordem", instalou-se em cada celular um Judas de Silício. Brasília olha pelo buraco da fechadura das nossas redes sociais, não por zelo, mas por vício. Querem saber se o suor que verte em Santa Catarina ainda alimenta a rebeldia ou se o "Beijo de Judas" das verbas federais já anestesiou a nossa honra.

O Diálogo das Sombras

Dois personagens, unidos por um afeto que sobrevive às eras, discutiam o destino da província num café à beira-mar. Ele, o homem de 2016, com a paciência dos que conhecem o lodo das convenções; ela, a alma inflamada, que via na Capital Federal um monstro de mil cabeças burocráticas.

— "Não há mais conserto," — dizia ela, com os olhos postos no horizonte, onde o mar encontra o céu. — "A separação é o único banho que nos limpa dessa 'prostituição institucional'. Por que dar a lã de nossas ovelhas para quem nos devolve o lobo da vigilância?"

Ele, porém, sorria com aquela melancolia de quem já leu todos os testamentos da política.

— "Minha cara, separar o mapa é rasgar a própria carne. A dignidade não se recupera fugindo da casa, mas expulsando o invasor do quarto. Se o '04' foi o mais votado, é porque o povo plantou uma sentinela no coração da engrenagem. Não queremos um novo país; queremos o nosso de volta, sem o bafo do vampiro no pescoço."

O Veredito da Ironia

Ficaram ali, suspensos entre a Ruptura e a Reconquista. O Estado-Vampiro, de longe, enviava suas agências reguladoras e seus comitês de ética — esses tribunais de estranhos que decidem a cor da nossa virtude com o dinheiro do nosso próprio bolso.

Não se concluiu pela secessão, pois a alma catarinense é teimosa demais para ceder o terreno. Preferem o combate diário da "Asfixia pelo Carimbo" à entrega total. A política atual, leitor, é este baile de máscaras onde o convidado (o cidadão) paga a orquestra para ser espionado pelo anfitrião (o Estado).

"A maior vingança contra um governo que nos quer nus diante de seus algoritmos é vestir a armadura de uma honra que ele não pode tributar."

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.