sexta-feira, 20 de março de 2026

O Custo da Omissão: Ética Seletiva e a Ressurgência da Direita nas Urnas de 2026

O Custo da Omissão: Ética Seletiva e a Ressurgência da Direita nas Urnas de 2026

O cenário eleitoral desenhado pelas pesquisas publicadas hoje, com destaque para a análise do jornal francês Le Monde, revela um fenômeno que muitos estrategistas de esquerda ignoraram nos últimos quatro anos: a "blindagem por perseguição". Ao permitirem ou apoiarem, direta ou tacitamente, práticas de stalking institucional e perseguição contra adversários, grupos progressistas parecem ter entregue aos seus oponentes o ativo político mais valioso em uma democracia: o papel de vítima de um sistema arbitrário.

1. O Fenômeno Flávio Bolsonaro e a Reação ao "Lawfare"

A notícia de que Flávio Bolsonaro aparece quase empatado nas pesquisas para cargos majoritários não é um acaso estatístico. Para o eleitor médio, a fronteira entre a justiça e a perseguição é traçada pela coerência.

A Falha da Esquerda: Ao não condenar métodos de assédio quando aplicados a rivais, setores da esquerda validaram a narrativa bolsonarista de que as instituições foram "aparelhadas".

O Resultado: O eleitor indeciso, percebendo uma ética seletiva, tende a se solidarizar com o alvo da pressão estatal, vendo nele uma barreira contra o autoritarismo de quem detém a máquina.

2. São Paulo e Santa Catarina: O Voto como Antídoto

As projeções que indicam o favoritismo de Tarcísio de Freitas em São Paulo e a consolidação da direita em Santa Catarina (com tendência de reeleição) sugerem que esses estados se transformaram em "redutos de resistência" contra o que é percebido como excesso de intervenção e perseguição federal.

Em São Paulo: O eleitorado valoriza a previsibilidade. Quando o governo federal é associado a disputas personalistas e perseguições a servidores ou desafetos, Tarcísio projeta a imagem de "gestor técnico" que foca no estado, colhendo os frutos da fadiga política gerada pelo conflito institucional.
 
Em Santa Catarina: O estado, historicamente alinhado a valores de ordem e liberdade econômica, interpreta a inércia do governo federal em resolver casos de perseguição (como os 15 anos de denúncias citados em debates públicos) como uma prova de que o sistema só protege "os seus". A reeleição da direita é, portanto, um voto de desconfiança na capacidade ética da esquerda governista.

3. A Responsabilidade dos Intelectuais e Grupos de Apoio

A responsabilidade de grupos de esquerda que silenciaram diante de crimes de stalking e assédio institucional nos últimos quatro anos é direta. Ao priorizarem a "aniquilação do inimigo" em vez da preservação dos ritos democráticos, esses grupos provocaram:

Erosão da Autoridade Moral: Tornou-se impossível criticar o autoritarismo alheio tendo praticado o assédio doméstico.

Radicalização do Centro: O eleitor moderado, assustado com o uso da máquina pública para perseguições, migrou para a direita em busca de proteção institucional.

Descredibilização da Mídia: A percepção de que grandes veículos poderiam estar sendo usados como ferramentas de "stalking" (via vazamentos e plágios não punidos) alimentou as bolhas de desinformação da extrema-direita.

Conclusão

Como aponta o Le Monde, o Brasil de 2026 não está apenas dividido entre esquerda e direita, mas entre aqueles que acreditam nas instituições e aqueles que as veem como armas. A esquerda que apoiou ou se calou diante do stalking institucional agora enfrenta o "efeito bumerangue": uma direita revigorada, protegida pela narrativa da sobrevivência e impulsionada por um eleitorado (outrora confiante no fim do crime nestes quatro anos) que prefere o risco da oposição à certeza do arbítrio governamental. O preço do silêncio ético está sendo cobrado, com juros, nas pesquisas de intenção de voto.

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