A fraude à cota de gênero que derrubou a chapa de Victor Forte (PL) revela como o machismo estrutural e o falocentrismo criam mandatos frágeis, desconectados e, por fim, nulos.
1. Por que combater o machismo neste cenário?
O machismo neste contexto manifestou-se na crença de que mulheres são "peças burocráticas" e não agentes políticos.
O Efeito Direto: Ao registrar candidaturas femininas fictícias ("laranjas"), o grupo político ignorou a lei para manter o controle masculino.
O Impacto: A fraude anulou o voto de milhares de cidadãos. O combate ao machismo aqui é o combate à insegurança jurídica. Se o partido tivesse respeitado a representatividade feminina, o mandato não teria sido extinto pelo TRE-SC.
2. O Patriarcado e as Oligarquias: O Poder como Herança
O patriarcado e as oligarquias operam na lógica de que o poder deve circular entre "iguais" (homens de influência).
A Consequência: Isso cria o encastelamento. O político passa a servir aos interesses do seu grupo (oligarquia) e esquece a "Justiça de Calçada".
O Impacto: O abandono territorial. Victor Forte, ao adotar uma postura de herdeiro político e tecnocrata, negligenciou a base que o elegeu. O patriarcado cega o líder para as demandas reais da comunidade, pois ele passa a ouvir apenas o eco do próprio gabinete.
3. Falocentrismo e a Política das Aparências
O falocentrismo na política não trata apenas de gênero, mas de uma estética de dominação. É a política do "eu sou", "eu mando", "eu apareço".
Sociedade das Aparências: Em Balneário Camboriú, cidade marcada pela verticalização e pelo brilho estético, o gabinete de Victor Forte mimetizou essa "casca". Investiu-se em marketing digital, posts técnicos e imagem de autoridade, mas faltou a substância da presença.
O Impacto: O distanciamento. Enquanto o gabinete vivia na "sociedade das aparências", o mundo real acontecia na calçada. Aristo Pereira (PT), ao manter o cumprimento de "companheiro" e a simplicidade do caminhão, venceu a estética falocêntrica com a ética da constância.
Resumo dos Impactos e Lições
Estrutura | Manifestação em BC | Impacto Real (09/03/2026)
Machismo | Fraude nas cotas de gênero. | Anulação total da chapa e perda de mandatos.
Patriarcado | Centralização do poder em figuras masculinas. | Desconexão com pautas sociais e diversidade.
Oligarquia | Decisões de cúpula acima da base. | Negligência territorial e abandono do eleitor.
Aparências | Marketing digital vs. Presença física. | Perda de legitimidade simbólica perante o povo.
Conclusão: O Combate Necessário
Combater esses pilares é garantir que Balneário Camboriú tenha uma política de resultados reais, e não de "vidrine". O 9 de março prova que o poder que se sustenta na exclusão das mulheres e no isolamento oligárquico é um castelo de areia que a maré da Justiça Eleitoral derruba com facilidade.
A entrada de Aristo Pereira representa o retorno da política como serviço, onde o reconhecimento mútuo no portão vale mais do que a postura falocêntrica no gabinete.
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