O Cargo de Coordenador de Artes na FCBC: Um Relato de Experiência e Urgências
Por trás de cada evento cultural em Balneário Camboriú, existe uma engrenagem administrativa que muitas vezes opera no "limite" de suas capacidades. Minha trajetória na Fundação Cultural de Balneário Camboriú (FCBC), iniciada em 2017 a convite do prefeito Fabrício, foi marcada por um paradoxo: ao mesmo tempo em que sentia o peso da responsabilidade de gerir 11 segmentos artísticos, percebia que o cargo de Coordenador de Artes carecia de um alicerce básico — a definição documental de suas atribuições.
1. O Peso da Responsabilidade sem Roteiro
Minha insegurança inicial não era falta de vontade, mas a ausência de um norte institucional. Ao buscar as funções do cargo no papel, descobri que elas simplesmente não existiam de forma documentada. Essa lacuna é perigosa para a gestão pública: sem atribuições claras, o cargo vira um "faz-tudo" ao sabor da vontade política, o que prejudica a continuidade das políticas de Estado.
Para dar uma resposta à cidade, busquei abrigo no Plano Municipal de Cultura (PMC). Foi ali, entre as metas dos segmentos, que entendi que o "Coordenador de Artes" precisa ser, na verdade, um articulador técnico. O peso de olhar para o Teatro, a Literatura e o Patrimônio e sentir-se responsável por todos eles só é suportável quando há estrutura técnica por trás.
2. A Inteligência está no Quadro Efetivo
Se há algo que minha nomeação me permitiu enxergar, foi a força do quadro efetivo da FCBC. É um erro estratégico da cidade não ocupar seus cargos de diretoria e comando com servidores de carreira. Temos talentos prontos que já sustentam as bases da fundação:
O Rafael Salvador, servidor e músico formado, tem a estirpe necessária para representar o setor artístico em níveis de diretoria.
A Aline, com seu rigor nos estatutos, é o que permite a existência de nossas feiras.
O Guilherme é a mente por trás do desenho logístico e geográfico das nossas praças e eventos.
A Marília garante a curadoria e a dignidade do artesanato.
3. O Audiovisual e a BC Filme: Investimento, não Gasto
Balneário Camboriú é um cenário natural, mas a Film Commission (BC Filme) ainda vive sob a fragilidade de um decreto. É preciso transformá-la em Lei. Um cargo de Film Commissioner bem estruturado, ocupado por técnicos como o Douglas (que já integra o quadro efetivo e conhece o setor), traria um retorno econômico imediato. O sucesso de produções como o clipe "Descer pra BC" prova que a imagem da cidade é um ativo poderoso que precisa de gestão profissional, e não apenas de boa vontade.
4. O Exemplo do Artesanato: Técnica e Identidade
O artesanato em BC é uma potência, mas carece de profissionalização no poder público. Minha experiência, eleito delegado em Florianópolis, e avaliador da Carteira Nacional do Artesão — um esforço que fiz por consciência, não por remuneração — mostrou que o setor precisa de uma pessoa específica. Não podemos exigir que o artesanato avance sem oferecer cursos de capacitação e curadorias locais permanentes.
Conclusão: Por uma Reforma Administrativa na Cultura
Não nos faltam nomes competentes; falta-nos valorização. O futuro da FCBC passa por:
1. Concursalidade e institucionalização: Definir em lei o que cada cargo deve fazer.
2. Continuidade Técnica:bPriorizar o efetivo em cargos de decisão para evitar que a cultura pare a cada quatro anos.
3. Estruturação de Setores Estratégicos: Como o Audiovisual e o Artesanato.
A cidade só tem a ganhar quando a política de cultura deixa de ser exclusivamente uma "nomeação" e passa a ser uma estrutura técnica sólida, respeitando quem já dedica a vida ao serviço público municipal.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.