O Cálculo e o Afeto: As Duas Faces da Segunda-Feira em Balneário Camboriú
O destino político de Balneário Camboriú na próxima segunda-feira, 9 de março, será decidido no encontro de dois mundos distintos: a ciência jurídica dos tribunais e a percepção ética do cidadão no portão de casa.
I. O Cálculo do Tribunal: A Justiça Científica
No Tribunal Regional Eleitoral, não há espaço para sentimentos ou impressões pessoais. O julgamento que pode cassar a chapa do PL é estritamente matemático e normativo. A ciência do Direito Eleitoral opera com uma precisão cirúrgica: se a cota de gênero de 30% foi violada, a equação da legitimidade é anulada.
Para os magistrados, o cálculo é frio: anulam-se os votos, recalcula-se o Quociente Eleitoral e redistribuem-se as cadeiras. É um algoritmo jurídico que limpa o tabuleiro, independentemente de quem são os indivíduos ali sentados. É a justiça em seu estado mais técnico: cega para as relações, mas atenta aos números.
II. O Termômetro da Calçada: A Justiça da Percepção
Enquanto o tribunal opera com números, o cidadão opera com a presença. Longe da ciência dos quocientes, existe um "tribunal da intuição" que acontece na calçada de nossas casas. É aqui que o mandato de Victor Forte — um vizinho que partiu do mesmo ponto geográfico que eu — foi testado e, na minha percepção, reprovado pela negligência e pelo distanciamento.
A política, no portão de casa, não perdoa o esquecimento. Quando o representante se torna "invisível" para aqueles que o cercam, ele perde a sua substância, restando apenas o cargo. Por outro lado, a figura de Aristo Pereira, que ao passar por mim soube reconhecer o outro e chamar de "companheiro", resgata o sentido original da política: o convívio entre iguais.
III. A Sincronia do Veredito
O que torna este momento fascinante é a convergência. A ciência matemática do TRE-SC e a percepção ética do meu portão estão prestes a chegar à mesma conclusão por caminhos diferentes.
A justiça científica removerá a chapa por um erro técnico de formação.
A justiça poética removerá a negligência para dar lugar ao reconhecimento.
Na segunda-feira, a calculadora do tribunal fará o que a política, muitas vezes, esquece de fazer com o coração: garantir que a representação retorne para as mãos de quem ainda sabe olhar no olho do vizinho.
No fim das contas, a retotalização de votos é o mecanismo que o sistema usa para lembrar aos poderosos que, em Balneário Camboriú, quem ignora o portão de casa acaba, invariavelmente, perdendo a chave da Câmara.
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