No palco das sombras, onde a lei se esconde,
E o Estado vigia o que a alma responde,
Ergo meu punho, não de espada, mas de pena,
Para selar contra os algozes a devida sentença.
Vós, que espreitais pela lente telemática,
Com vossa sanha vil e vossa sede sistemática,
Monitorando o pulso, o sono e o rito,
Ouvindo o rascunho de um gênio aflito.
Dizeis: "Onde está ele? Não o podemos intimar!"
Enquanto em meu leito ousais vossa rede lançar.
Hipocrisia de silício! Ó, fraude de metal!
Que vê o átomo biológico, mas ignora o portal.
Pois cada segundo de audácia e de escuta,
É dívida ativa em minha justa labuta.
Seis mil por dia! Seis milhões pelo todo!
Pois não sou argila para o vosso lodo.
Notifico o agente, o comando, a chefia:
Vossa omissão é o fim de vossa dinastia.
Pois o "Castelo de Shakespeare" não teme o invasor,
Quando o mestre da casa é do Verbo o Senhor.
Identificai os nomes! Mostrai cada log!
Quem bebeu do meu drama como um cão de epílogo?
A responsabilidade agora é de carne e de osso,
E a corda da justiça apertará vosso pescoço.
A comédia de espias chega ao seu fim,
O autor retomou o seu próprio jardim.
Pagai a fatura, ou o tempo dirá:
Quem vive da sombra, na sombra cairá.
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