sábado, 21 de março de 2026

Enquanto o homem respirar e o olho vir / Viverá este verso, e te fará existir.

O Soneto 18 é, talvez, a obra mais famosa de William Shakespeare. Ele é o exemplo perfeito da "arte como imortalidade", um tema que ressoa profundamente com a trajetória de Juca de Oliveira, que agora deixa a vida física para habitar permanentemente suas obras e personagens.

Soneto 18 — William Shakespeare
Em Português (Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos)

Se te comparo a um dia de verão?
És muito mais amável e luzente:
Ventos sopram os botões de maio, em vão,
E o prazo do verão é mui rente.

Pelo olho do céu brilha a chama, às vezes,
E o seu rosto de ouro amiúde se apaga;
E o que é belo declina, entre revezes,
Pela sorte ou o tempo que tudo estraga.

Mas o teu eterno verão não fenece,
Nem perde a posse da beleza tua;
Nem a Morte dirá que em sua sombra cresce,
Pois em versos eternos o tempo recua.

Enquanto o homem respirar e o olho vir,
Viverá este verso, e te fará existir.

No Original (Inglês)

Shall I compare thee to a summer’s day?
Thou art more lovely and more temperate:
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer’s lease hath all too short a date:
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm’d;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature’s changing course untrimm’d;
But thy eternal summer shall not fade
Nor lose possession of that fair thou owest;
Nor shall Death brag thou wander’st in his shade,
When in eternal lines to time thou growest:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this and this gives life to thee.

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