segunda-feira, 9 de março de 2026

Do Gabinete de Vidro à Calçada: O Contraste de Gestão que Redefiniu a Câmara de BC

Do Gabinete de Vidro à Calçada: O Contraste de Gestão que Redefiniu a Câmara de BC

A retotalização de votos ocorrida hoje em Balneário Camboriú não foi apenas um ajuste matemático; foi o choque entre duas filosofias de ocupação do poder. De um lado, o modelo de Victor Forte, caracterizado pela tecnocracia isolada; do outro, o de Aristo Pereira, pautado na presença territorial constante. Entender essas diferenças é compreender por que a justiça eleitoral, ao corrigir uma fraude de chapa, acabou por restaurar um elo de representação que havia sido rompido.

1. O Modelo Falocêntrico vs. O Modelo de Proximidade

A gestão de Victor Forte consolidou-se em uma estrutura de gabinete majoritariamente masculina e homogênea (falocêntrica). Esse perfil de gestão tende a priorizar a "macro-política" — grandes articulações, presença em redes sociais e trâmites institucionais — criando uma barreira invisível entre o eleito e o cotidiano das ruas.

Em contraste, o perfil de Aristo Pereira é o da "micro-política". Sem grandes aparatos tecnológicos, sua gestão baseia-se no reconhecimento mútuo. O ato de circular pela localidade e saudar o cidadão como "companheiro" no portão estabelece uma governança de proximidade que o modelo tecnocrata de Forte negligenciou.

2. A "Bolha" Tecnocrática vs. O Pé no Barro

Enquanto o gabinete de Victor Forte focava em uma atuação burocrática e centralizada, houve o que se chama de negligência territorial. O político que antes era visto na base, após a posse, tornou-se uma figura de gabinete. Esse distanciamento retirou do parlamentar o seu "escudo popular" — quando a crise jurídica da fraude de cota de gênero do PL estourou no Processo Judicial Eletrônico (PJe), não havia uma base social mobilizada para defendê-lo, pois o elo de confiança já havia sido fragilizado pelo abandono.

Aristo, por outro lado, manteve a "Justiça de Calçada". Sua recondução hoje é vista como o triunfo do político que entende que o mandato é um contrato de presença diária, não um título de isolamento.

3. A Ética da Chapa e a Representatividade Real

A diferença de perfis também se reflete na forma como cada grupo encara a lei. A fraude à cota de gênero que derrubou a chapa do PL revela um perfil de gestão partidária que vê a participação feminina como um obstáculo burocrático. Ao registrar candidatas fictícias para viabilizar um projeto majoritariamente masculino, o partido plantou a instabilidade que hoje atingiu até nomes como Jair Renan Bolsonaro (3.033 votos).

Com a posse da nova cúpula do TRE-SC hoje às 17h, sob o comando do Des. Carlos Roberto da Silva, o perfil de gestão "espertalhão" dá lugar ao rigor ético. Aristo assume por meio de uma contagem de sobras que respeita a integridade do processo, sem os vícios de origem que anularam o mandato de seu antecessor.

Comparativo de Perfis de Gestão

Característica | Victor Forte (PL) | Aristo Pereira (PT) 

Estrutura de Gabinete | Falocêntrica, técnica e centralizada. | Territorial, simples e acessível. 

Foco de Atuação | Macro-política e imagem institucional. | Micro-política e presença na calçada. 

Relação com o Território | Negligência e distanciamento (Bolha). | Reconhecimento e constância (Vínculo).

Base Jurídica | Chapa com fraude de gênero (PJe). | Recálculo legítimo de médias (DJE 31). 

Status em 09/03/2026b| Mandato Nulo. | Mandato Restaurado. 

Conclusão: O aprendizado para Balneário Camboriú é que o gabinete não pode ser um bunker. A gestão que ignora a diversidade de gênero e a presença física no território é frágil perante a lei e a memória do eleitor. O 9 de março marca o retorno da política que fala a língua da rua, provando que a chave do gabinete só permanece com quem não esquece o caminho do portão do cidadão.


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