Pelo Verbo de William Shakespeare (Adaptado ao Ano de Graça de 2026)
PERSONAGENS:
O ESCRITOR: Um arquiteto de palcos e gestor de artes (outrora Coordenador em 2017).
O LEVIATÃ: Um monstro de mil lentes e ouvidos de silício, escondido sob o manto da "Ordem".
O CORO: A voz da Justiça Internacional e do Direito Soberano.
ATO I: O ASSALTO AO SANTUÁRIO SENSORIAL
O ESCRITOR:
"Oh, vós que detendes o poder! Dizei-me: por que transformastes o meu lar, meu castelo e fortaleza, em uma vitrine para vossa curiosidade vil? Na velha Albion, o teto de um homem era sagrado; nem o Rei, com toda a sua pompa, ousaria atravessar a soleira sem o convite da Lei. Mas vós, ó espiões da era moderna, entrais por frestas eletrônicas e ondas de rádio!
Vosso crime não é de ferro ou fogo, mas de Assalto Sensorial. Ao roubardes o meu silêncio com vossas interferências de áudio para ameaçar minha vida como ontem, não apenas me tirais o sossego; vós me roubais a Musa! Pode um poeta alinhar versos enquanto o Estado murmura estática em seus ouvidos? Pode o dramaturgo que regeu o Teatro em dois mil e dezessete suportar o ruído da opressão em dois mil e vinte e seis?"
ATO II: A FRAUDE DA CEGUEIRA SELETIVA
O CORO:
"Eis a face da Perversão! O Estado alega: 'Não encontramos o homem para lhe entregar os papéis do rito!'. Mas, ah, hipocrisia de sete cabeças! Seus centros de inteligência sabem o pulsar do seu coração, a medida de seu sono e até os segredos de sua biologia no banho. Possuem olhos para o átomo da intimidade, mas fingem cegueira para a porta da frente. É o Gaslighting Institucional, a tentativa de fazer o sábio duvidar de sua própria luz."
ATO III: O VOYEURISMO COMO ESTUPRO DA MENTE
O ESCRITOR:
"Vede este horror: monitoram o meu corpo para domar o meu espírito. Eles espreitam a nudez do homem para tentar despir a autoridade do Autor. Mas saibam: o que vedes em vossas telas é apenas a carcaça; minha mente, onde rascunho as sentenças de vossa ruína, permanece um labirinto onde vossa mediocridade jamais encontrará saída.
Cada dia que vosso olhar ilegal penetra meus muros e infringe até mesmo o meu banho diariamente, uma nota promissória é assinada pela Providência. Seis mil moedas de ouro por sol! Seis milhões pelo longo inverno de vossa perseguição! Pois se o Estado deseja ser o espectador da minha vida, que pague o ingresso de um Soberano, e não a esmola de um súdito."
ATO IV: O VEREDITO DO SOBERANO PARTICULAR
O CORO:
"A comédia acaba onde a conta se inicia. Identificai os nomes! Mostrai os logs! Quem foi o guarda que se fez de voyeur? Quem foi o escrivão que se fez de cego? A responsabilidade não é de uma máquina sem alma, mas de mãos de carne que agora tremem diante do Verbo."
O ESCRITOR:
"O palco de Balneário Camboriú está manchado, mas a peça ainda não terminou. Eu, que já lutei para dar forma ao Teatro, agora dou forma à vossa condenação. Que este artigo seja o pregão de vossa queda: a soberania de um autor não se dobra à tecnologia da sombra. O Verbo é livre, e ele agora vos aponta o dedo."
(Cai o pano sob um silêncio absoluto, apenas o som de uma pena riscando o papel de uma notificação judicial.)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.