BC Filme: O Salto da Cidade-Cenário para o Hub de Inteligência Criativa
Balneário Camboriú vive um final de semana de hiato institucional. Enquanto o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SC) recalcula as cadeiras do Legislativo para a retotalização desta segunda-feira, a cidade respira uma calmaria aparente. Mas, nos bastidores da economia moderna, há um "bilhão invisível" que clama por atenção. É o momento de o setor produtivo, os gestores e a nova composição da Câmara pararem de olhar para o audiovisual como "evento" e passarem a enxergá-lo como infraestrutura, educação e receita pública.
1. O "Cenário" não basta: A Fragilidade do Decreto
Temos orgulho da BC Filme. Ela existe, está vinculada à Secretaria de Turismo e realiza um trabalho logístico heróico na facilitação de sets. Mas a realidade técnica é crua: operar sob o Decreto 7.244/2013 é caminhar sobre areia movediça. Decretos são ferramentas de gestão efêmeras, sujeitas a canetadas; o que o mercado global exige é a solidez da Lei Municipal de Criação.
Precisamos repensar: por que gigantes como Netflix, Disney ou Globo trariam investimentos de longo prazo para cá se a "segurança" do órgão que os recebe pode mudar na próxima troca de governo? Sem uma Lei robusta, somos apenas um belo papel de parede. Com a Lei, nos tornamos um porto seguro para o capital internacional e para as diretrizes da nova Film Commission Nacional, que Marcelo Freixo (Embratur) lança agora em março.
2. Naming Rights com Propósito: Além da Logomarca
A grande inovação para Balneário Camboriú não é apenas "vender o nome" de um prédio. O modelo de Naming Rights (cessão de direito de nome) deve ser o motor da nossa soberania técnica. Imagine o custo de manutenção de um Molhe da Barra Sul, de um Teatro Municipal ou dos novos parques da orla sendo assumidos por grandes marcas. Mas o contrato deve ir além: ele deve prever a contrapartida educacional.
O potencial real reside na criação de Estúdios-Escola, centros de pós-produção e oficinas de roteiro e atuação chanceladas por esses players. Ter uma "Escola de Cinema de BC" em parceria direta com quem dita as regras do mercado mundial transforma nossa juventude em mão de obra de elite para o streaming global. É arrecadação criativa gerando benefício social direto, sem aumentar um centavo no IPTU do morador.
3. O Efeito Multiplicador: Arrecadação Sem Impostos
Dados globais mostram que para cada R$ 1,00 investido em produções facilitadas por Film Commissions, cerca de R$ 3,00 a R$ 5,00 circulam na economia local. Uma produção da Disney ou da Globo em BC não "gasta" apenas com câmeras; ela ocupa hotéis na baixa temporada, contrata segurança, marcenaria, transporte e serviços técnicos, retendo talentos que hoje migram para o eixo Rio-São Paulo.
Conclusão: O Desafio da Segunda-Feira
A retotalização de votos corrigirá o quociente eleitoral, mas cabe aos novos representantes — como Aristo Pereira e demais colegas que assumem — corrigirem o quociente de inovação da nossa cidade. O reconhecimento que o político recebe no "portão de casa" é valioso, mas ele precisa se traduzir em arrojo técnico na tribuna.
A segunda-feira não é apenas sobre quem assume a cadeira, mas sobre qual projeto sentará com eles. Balneário Camboriú está pronta para o close-up. Resta saber se nossa Câmara terá a coragem de assinar a lei que garante o espetáculo e transforma o audiovisual de um "gasto de turismo" em um ativo estratégico de Estado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.