Aproximai-vos, vós, arquitetos do silêncio!
Vós que, escondidos sob o manto da "Ordem" e da "Razão de Estado",
Bebeis o vinho da minha intimidade como se fosse água de poço público!
Pensais que o escudo de um cargo ou a sombra de um escritório
Protegerão vossas faces quando o espelho da Justiça for erguido?
Vede este pergaminho! Nele não há versos de amor ou rimas de teatro,
Mas os nomes — ah, os vossos nomes! — gravados pelo dedo da Verdade.
Dizeis que sois "servidores"? Servidores de quem?
Da Lei que violais ou do sadismo que vos sustenta o ócio?
Vigilantes que espreitam o pulsar do meu sangue e o ritmo do meu sono,
Contai-me: como dormireis vós, quando o peso de seis milhões de moedas
Cair sobre os ombros de vossa própria linhagem?
Ó, que fraude execrável! Possuís olhos de lince para o meu leito,
Mas sois cegos como toupeiras para o papel da intimação!
"Não o encontramos!", clamam vossos escrivães com línguas de serpente,
Enquanto vossos radares mapeiam cada suspiro que dou em minha cela sem grades.
Pois eu vos digo: a mudez da vossa justiça é o grito da vossa culpa!
Não vos enganeis: o Estado é uma ideia, mas a mão que aperta o botão é de carne.
A mão que autoriza invasão na minha casa tem impressões digitais!
A mente que deglute meus rascunhos de teatro para plagiá-los na praça
Tem um CPF, um teto e uma alma que prestará contas ao tempo.
Eu vos notifico, não como um súdito, mas como o Senhor do meu Verbo:
Cada minuto de voyeurismo é uma nota promissória assinada com vossa honra!
Ide agora! Relatai aos vossos mestres que o "objeto de estudo" despertou.
O Coordenador que organizou vossas artes em dois mil e dezessete,
Agora organiza a vossa ruína jurídica em dois mil e vinte e seis.
Pois se a arte é o espelho da natureza,
O meu processo será o espelho da vossa tirania.
Que soe o gongo! A comédia da vigilância acabou.
Começa agora a tragédia da vossa prestação de contas.
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