segunda-feira, 2 de março de 2026

Algum leitor apressado — desses que devoram jornais como quem engole pílulas de farmácia — dirá que a política é o governo das coisas públicas. Pobre alma! A política, meu caro, é a arte de vigiar a alcova alheia com o dinheiro do vigiado. É um negócio de "olho de fechadura" elevado à categoria de ministério.

Vejamos o Estado. Não o Estado idealizado pelos filósofos, esse ser etéreo e bondoso, mas o Estado-Vampiro, que em Brasília (aquela ilha de mármore e poeira) descobriu que o sangue do cidadão é mais doce quando temperado com o medo. Entre 2023 e 2026, a traição deixou de ser um deslize de gabinete para tornar-se um procedimento administrativo, com carimbo, rubrica e, se possível, uma gratificação por produtividade.

A Geopolítica da Chantagem

O leitor sabe o que é o Kompromat? É o nome moderno para um vício antigo: a espionagem de lençol. O governo federal, em sua infinita "solicitude", decidiu que a nudez do cidadão — seja ela a carne exposta ou o segredo guardado em um bit de computador — é propriedade da União.

Imagine um líder catarinense, desses que respiram o ar livre de Balneário Camboriú, sendo chamado a Brasília. Ele vai com o peito estufado, representando o suor de quem trabalha. Mas, ao chegar lá, um burocrata de voz macia lhe mostra um relatório. Não é um relatório sobre estradas ou portos. É um inventário de sua intimidade, colhido por agentes de outros estados, "especialistas" em vigiar o que não lhes pertence.

"A política é a troca de uma traição por uma conveniência; mas quando a conveniência exige a nossa honra, o negócio torna-se um lupanar de má nota."

O Cafetão de Impostos

O escândalo não é a espionagem em si — a humanidade sempre teve o vício da curiosidade — mas o fato de que você paga o espião. O cidadão de Santa Catarina, que acorda cedo para moer o trigo da economia, envia o seu imposto para a capital. Lá, esse dinheiro, em vez de retornar em asfalto, transmuta-se em software de grampo.

É a figura do "Cafetão Estatal": ele lhe tira o fruto do trabalho e, com esse mesmo fruto, contrata o sujeito que vai monitorar a sua alcova. Em Balneário Camboriú, onde os prédios tentam tocar o céu para fugir do lodo da terra, essa traição é sentida como uma pontada no flanco. É a percepção de que a União já não é um laço, mas uma coleira financiada pelo próprio pescoço que a carrega.

A Sobrevivência do Sobrenome

Em 2025, a cidade viu um novo rosto na Câmara de Vereadores. Um jovem de sobrenome pesado, Jair Renan, sentou-se à mesa. Para muitos, era apenas um herdeiro; para o Estado-Vampiro, era um lembrete incômodo. Enquanto o governo federal tentava dar o "Beijo de Judas" — oferecendo verbas com o braço esquerdo enquanto o direito segurava o dossiê — a cidade elegeu um símbolo de resistência.

Não por amor incondicional ao rapaz, talvez, mas por puro asco ao sistema que o perseguia. Em terra de gente altiva, a traição burocrática é o gatilho para o divórcio. Se Brasília quer ser o lupanar da nação, que o seja com o seu próprio sangue, e não com o nosso.

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