As mudanças mais impactantes no dia a dia:
1. O Código de Vestimenta e a Mulher
Esta foi a mudança visual mais imediata e profunda. O Hijab Obrigatório: O uso do véu, que era uma escolha pessoal antes de 1979, tornou-se obrigatório. Inicialmente, houve grandes protestos de mulheres em Teerã, mas a lei foi imposta rigorosamente.
Segregação de Gênero: Escolas, praias e transportes públicos foram segregados. Mulheres foram impedidas de ocupar certos cargos, como o de juízas, e as leis de família (divórcio e custódia) foram alteradas para seguir a interpretação da Sharia.
2. Moralidade e Vigilância: Os "Comitês"
Surgiram os Komitehs (Comitês de Revolução Islâmica), patrulhas que vigiavam os bairros para garantir que o comportamento islâmico fosse seguido.
Proibições: O consumo de álcool foi banido, assim como a música ocidental "decadente" e a dança em público. Cinemas e teatros foram fechados ou tiveram sua programação estritamente censurada.
Vida Privada: O que acontecia dentro de casa tornou-se um refúgio, mas as batidas policiais em festas privadas à procura de álcool ou música proibida tornaram-se um medo constante para as classes urbanas.
3. Educação e a "Revolução Cultural"
Em 1980, as universidades foram fechadas por dois anos para uma "limpeza" ideológica.
Currículo: Os livros didáticos foram reescritos para enfatizar a história islâmica e os valores da Revolução. Professores considerados "pró-Ocidente" ou esquerdistas foram demitidos.
Doutrinação: A religião passou a permear todas as matérias escolares, e as orações diárias tornaram-se parte integrante da rotina estudantil.
4. Mudança no Consumo e na Mídia
O Irã passou de um mercado aberto a produtos globais para uma economia de resistência e nacionalismo.
Televisão e Rádio: A mídia estatal passou a transmitir quase exclusivamente sermões religiosos, notícias revolucionárias e programas educativos aprovados pelo clero.
Símbolos Ocidentais: Marcas americanas e europeias foram removidas ou renomeadas. O inglês, antes a segunda língua da elite, perdeu espaço para o fortalecimento do persa e do ensino do árabe (para fins religiosos).
O Contraste Social
É importante notar que, enquanto a classe média urbana e secular sentiu uma perda drástica de liberdade, as classes rurais e mais pobres sentiram-se, inicialmente, mais representadas. Para muitos iranianos conservadores, a revolução trouxe um sentimento de dignidade e retorno às raízes, eliminando a "intoxicação pelo Ocidente" (Gharbzadegi) que sentiam que o Xá impunha.
No entanto, esse período de transição foi logo atropelado pela Guerra Irã-Iraque (1980-1988), que transformou a vida cotidiana em uma rotina de racionamento, bombardeios e fervor patriótico.
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