Em meio à nova rodada de negociações trilaterais iniciada hoje em Genebra, os detalhes do ponto 19 do chamado "Plano Trump de 28 Pontos" emergem como a peça-chave para o destravamento do conflito no sudeste da Ucrânia. A proposta visa retirar a Usina Nuclear de Zaporizhzhia (ZNPP) do impasse militar, elevando-a ao status de Zona de Segurança Internacional.
A Estrutura da Proposta Tripartite
O plano rompe com a disputa de controle exclusivo, propondo uma administração conjunta mediada pelos Estados Unidos e pela AIEA:
Gestão Técnica Ucraniana: O retorno progressivo de especialistas da Energoatom para o controle operacional, sob o argumento de domínio técnico insubstituível.
Auditoria e Supervisão Internacional: Presença permanente de inspetores da AIEA e observadores designados pelo Conselho de Paz (liderado pelos EUA) para garantir que a planta não seja remilitarizada.
Partilha de Energia 50/50: A eletricidade gerada após a reativação seria distribuída equitativamente entre as redes ucraniana e russa (áreas ocupadas), forçando uma dependência mútua que desencoraja ataques.
O Modelo Territorial: "Status Especial"
Para viabilizar a segurança, o plano estabelece uma hierarquia territorial imediata:
Cessar-fogo Territorial Antecedente: Nenhuma transição técnica ocorrerá antes da interrupção total das hostilidades na região de Energodar.
Zona Desmilitarizada (ZDM): Retirada de todo armamento pesado em um raio acordado ao redor da planta.
Congelamento de Linhas: O reconhecimento de facto do controle administrativo russo nas áreas circundantes, enquanto a soberania de jure permanece ucraniana, aguardando resoluções de longo prazo.
Status das Negociações em Genebra
As delegações, lideradas por representantes de alto nível de Washington, Moscou e Kyiv, apresentam reações distintas:
Estados Unidos: Atuam como árbitro e garantidor, prometendo o restabelecimento imediato de sanções globais caso a zona de segurança seja violada por qualquer uma das partes.
Ucrânia: Aceita a discussão sobre a partilha energética, mas mantém forte objeção à gestão conjunta que envolva a Rosatom, exigindo a devolução total do ativo.
Rússia: Demonstra interesse cauteloso na estabilização energética e no levantamento de sanções, mas resiste à "intromissão" americana direta na gestão técnica.
O Fator AIEA
O Diretor-Geral Rafael Grossi reforça que a proposta tripartite é a solução mais pragmática para encerrar a "diplomacia de corda bamba" dos cessar-fogos técnicos. "A estabilidade deve ser o imperativo. Este plano transforma a usina de um alvo militar em um motor de reconstrução para ambos os lados", afirmou Grossi na abertura da cúpula.
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