quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Os balneários de Tel Aviv ignoram a fumaça de Gaza.

Os cafés de Ramallah fingem não ver o checkpoint logo ali.

O mundo é um mapa partido, mas o cappuccino está quente.

Os inocentes de ambos os lados não viram o míssil passar.


Falam de paz como quem fala da chuva que não vem.

Falam de terra como se a terra não fosse feita de ossos.

As crianças brincam na areia, a poucos quilômetros do estrondo,

E o som do mar abafa o grito que a notícia não trouxe.


Não viram o muro crescer no quintal do vizinho.

Não sentiram o cheiro de fósforo no vento da tarde.

Estão todos ocupados demais sendo "vítimas" ou "heróis",

Enquanto o sangue, esse sim, é apátrida e mudo.


Os inocentes bebem o vinho da negação.

Dormem o sono dos justos em solo de incerteza.

O conflito é um ruído de fundo, um rádio ligado na sala,

E a vida segue, cega, entre a herança e a promessa.


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