Os balneários de Tel Aviv ignoram a fumaça de Gaza.
Os cafés de Ramallah fingem não ver o checkpoint logo ali.
O mundo é um mapa partido, mas o cappuccino está quente.
Os inocentes de ambos os lados não viram o míssil passar.
Falam de paz como quem fala da chuva que não vem.
Falam de terra como se a terra não fosse feita de ossos.
As crianças brincam na areia, a poucos quilômetros do estrondo,
E o som do mar abafa o grito que a notícia não trouxe.
Não viram o muro crescer no quintal do vizinho.
Não sentiram o cheiro de fósforo no vento da tarde.
Estão todos ocupados demais sendo "vítimas" ou "heróis",
Enquanto o sangue, esse sim, é apátrida e mudo.
Os inocentes bebem o vinho da negação.
Dormem o sono dos justos em solo de incerteza.
O conflito é um ruído de fundo, um rádio ligado na sala,
E a vida segue, cega, entre a herança e a promessa.
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