O Silêncio que Consente: A Nova Gestão e o Dever de Faxina Institucional
Balneário Camboriú iniciou 2025 sob o signo da renovação. A vitória de uma nova administração na Prefeitura trouxe o alento de que os vícios que corroem a ética pública local seriam, enfim, enfrentados. Contudo, o que se observa passados os primeiros meses é uma convivência perigosa com práticas herdadas que não podem mais ser ignoradas. É hora de cobrar: quem assumiu o poder tem o dever de assumir, também, a limpeza das instituições.
A Máquina como Propriedade Privada
Não é de hoje que a estrutura pública nesta cidade é tratada como extensão de gabinetes particulares. O uso da máquina pública — servidores, logística e verbas de publicidade — para alavancar projetos pessoais e preparar o terreno para as eleições de 2026 é um escândalo que sobrevive a trocas de governo. É urgente que a nova gestão implemente auditorias rigorosas e cesse o uso do erário como combustível para candidaturas precoces. A prefeitura não pode ser o comitê de campanha de ninguém.
O Terror Digital e o "Stalking" Institucional
O ponto mais sombrio, entretanto, é a persistência de uma política de perseguição que beira o crime. O stalking contra cidadãos e servidores que ousam questionar ordens ou apontar irregularidades tornou-se ferramenta de gestão. Redes sociais de parlamentares e influenciadores ligados ao poder são usadas para expor, humilhar e silenciar vozes críticas.
Essa estratégia de perseguição é o combustível da erosão democrática. Ela destrói o debate público e instaura um clima de medo. É imperativo que a Prefeita e a Mesa Diretora da Câmara tomem providências imediatas. Não se trata apenas de ética, mas de garantir a segurança de quem trabalha e vive na cidade. A omissão de quem assumiu em 2025 diante desses ataques é, na prática, uma forma de cumplicidade.
A Viabilidade de 2026 Passa pela Ética de Hoje
O clã que hoje domina as atenções em Santa Catarina aposta todas as suas fichas na fidelidade do eleitorado para chegar a Brasília em 2026. Mas o eleitor catarinense, embora leal a valores, não pode ser cúmplice do mau uso do seu imposto. Projetos políticos que se sustentam sobre o assédio, a utilização da estrutura estatal e o desrespeito ao servidor são castelos de areia destinados a ruir sob o peso da justiça.
Balneário Camboriú não pode mais aceitar que a cidade seja também a capital da perseguição política. A nova gestão precisa escolher: ou limpa a casa agora, ou carregará consigo o odor do autoritarismo que prometeu combater.
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