O mundo, em Genebra, discute a cor dos telhados.
Os satélites filmam o avanço, mas não sentem a poeira.
A linha verde no mapa é um traço de giz cansado,
Enquanto o concreto, sólido, ignora a fronteira.
Os inocentes de terno assinam notas de repúdio.
Falam de "fatos consumados" com o tédio de quem janta.
O direito internacional é um poema de rimas pobres,
E a terra, em silêncio, sob as fundações se espanta.
Não viram a estrada exclusiva rasgar o horizonte.
Não sentiram o peso do muro na palma da mão.
Estão todos ocupados demais com o próximo fórum,
Enquanto a geografia engole a velha resolução.
Os inocentes assistem à live da demolição.
Dormem o sono dos neutros em camas de protocolo.
A história é um "feed" que passa, um clique de indignação,
E o mundo segue, girando, com o mapa partido no colo.
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