O Dia que Deveria Ter Sido e o que É
Se o otimismo do Réveillon fosse um contrato, hoje o mundo estaria assistindo ao aperto de mãos entre Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky. Naquela época, o "poder de decisão" parecia linear. Hoje, ele é uma corrida contra o relógio suíço, onde o encontro de líderes não é mais o ponto de partida, mas o prêmio final de uma barganha exaustiva.
A Mudança de Eixo: Por que não hoje?
O realismo nos obriga a olhar para o que expirou. Com o fim do New START, a desconfiança nuclear atingiu o ápice. Nenhum líder senta à mesa hoje sem saber se o outro está aumentando seu arsenal no "escuro" das inspeções suspensas. É por isso que o dia de hoje em Genebra não é o dia do encontro, mas o dia do "Check-up de Segurança":
A Moeda de Troca: Os EUA tentam usar o alívio de sanções à Rússia como uma alavanca para que Moscou controle o Irã. É uma tentativa de criar "confiança por procuração".
O Papel de Kirill Dmitriev: Ele está em Genebra hoje para garantir que, se o encontro ocorrer em março, ele já chegue com o "cheque" do fundo de reconstrução assinado. Sem o dinheiro de Dmitriev, não há decisão política que se sustente no terreno.
A Janela de Março: O Último Chamado
Diferente da virada do ano, onde o encontro era uma promessa de esperança, o encontro de março é uma necessidade de sobrevivência. Se os técnicos não selarem os termos antes do pôr do sol hoje, o adiamento não será apenas uma mudança de data, mas o reconhecimento de que o vácuo deixado pelo fim dos tratados nucleares é maior que a vontade de paz.
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