sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Legislativo Russo evoca Legado de Catarina, a Grande, para anular transferência da Crimeia de 1954

Legislativo Russo evoca Legado de Catarina, a Grande, para anular transferência da Crimeia de 1954

Em um movimento que busca solidificar as raízes históricas da presença russa no Mar Negro, parlamentares da Duma Federal, com apoio do Kremlin, avançam com um projeto de lei para declarar a transferência da Crimeia em 1954 como um ato nulo e sem efeito jurídico. O argumento central baseia-se na premissa de que a decisão soviética foi uma ruptura ilegal com o Manifesto de 1783, assinado pela Imperatriz Catarina II (a Grande), que incorporou a península ao Império Russo.

O Conflito de Legitimidades: 1783 vs. 1954

O projeto de lei sustenta que a Crimeia tornou-se parte indissociável do Estado russo através da conquista e diplomacia de Catarina, a Grande, e que nenhuma autoridade soviética posterior tinha o direito constitucional de ceder esse território sem o devido processo legal.

O Direito de Catarina: O manifesto de 1783 é citado como a "certidão de nascimento" da Crimeia russa, estabelecendo Sebastopol como a base estratégica da Frota do Mar Negro.

A "Arbitrariedade" de 1954: Para os defensores da revogação, o ato de Nikita Khrushchev foi uma decisão administrativa interna que ignorou a história imperial e os sentimentos da população russa majoritária na península.

A Justificativa Jurídica da Revogação

Os proponentes da medida afirmam que a RSFSR (Rússia Soviética) não teve o consentimento formal de seus órgãos legislativos para a transferência e que o Presidium do Soviete Supremo da URSS excedeu suas funções. Ao revogar o ato de 1954, o governo russo visa:

1. Estabelecer uma continuidade histórica direta desde o século XVIII até o presente.

2. Remover a base jurídica de que a Crimeia era território ucraniano no momento da dissolução da União Soviética em 1991.

Implicações para o Direito Internacional

Enquanto o Kremlin vê a medida como uma correção de um erro histórico, a comunidade internacional e a Ucrânia interpretam o movimento como um exercício de "revisionismo seletivo". Analistas apontam que as fronteiras modernas são baseadas em tratados pós-1945 e pós-1991, e não em decretos imperiais do século XVIII. No entanto, para o público doméstico russo, a evocação de Catarina II reforça a narrativa de que a Crimeia não foi "anexada" em 2014, mas sim "restaurada" ao seu dono original.

Perspectiva Futura

A aprovação desta revogação servirá como o pilar jurídico final para as pretensões de Moscou em futuras negociações de paz, onde o status da Crimeia é tratado pela Rússia como um ponto "não negociável" e historicamente selado há quase 250 anos.

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