domingo, 15 de fevereiro de 2026

Devolva o Ouro do Povo

Irmãos da República e pecadores do Tesouro,

ouví o que vos digo com o fervor da vergonha e o fogo da Justiça.

Porque há dois tipos de ouro neste mundo:

o que reluz nos cofres e o que pesa na consciência.

E este segundo — o da culpa — é o que arde no inferno do Estado.


Chamais “emenda” o que é rapina,

“gestão” o que é manobra,

“sigilo” o que é pecado.

Mas o ouro do povo, que é pão e remédio,

não se esconde sob sigilo — clama do sangue dos inocentes.


O Supremo Tribunal, por seus ministros e suas letras,

é hoje o púlpito da razão cívica:

julga, não por vingança, mas por lembrança.

Porque o crime do poderoso é o mesmo de Judas —

vendeu o justo por moedas de prata,

e ainda pediu foro privilegiado para se redimir!


Ó vós, que chamais desvio de “ajuste”,

que chamais propina de “contribuição de campanha”,

sabei: quem rouba do erário não furta cifras, furta destinos.

Não mata corpos, mas mata esperanças.


E que faz o Povo? Ora, o Povo sofre, paga e se cala.

Mas o silêncio do Povo é como o silêncio de Deus —

demora, mas não é ausência: é juízo que amadurece.


Virá o dia em que o ouro queimará os dedos que o tocaram,

e os cofres, abertos, exalarão o cheiro dos mortos da fome.

Virá o dia em que o sigilo será rasgado como véu do templo,

e o Supremo não julgará sozinho,

pois o Povo, senhor do seu suor,

estará à porta com a sentença escrita no olhar.


E então, Senhores da Pátria,

quando os anjos da Auditoria tocarem suas trombetas,

e os demônios das Emendas chorarem nos corredores,

que direis à História?

Direis que não sabíeis? Que era “erro do sistema”?

Não! Direis, enfim: “Devolvemos o que é do Povo.”


Mas será tarde — porque o perdão não se compra com devolução tardia.

A restituição justa não é esmola, é penitência.

E a verdadeira Justiça, essa que não se veste de toga,

há de nascer do arrependimento e da vergonha pública.


Amém! — que quer dizer: Assim seja o juízo, assim volte o ouro ao seu dono, assim lave-se a alma desta Nação.

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