Irmãos da República e pecadores do Tesouro,
ouví o que vos digo com o fervor da vergonha e o fogo da Justiça.
Porque há dois tipos de ouro neste mundo:
o que reluz nos cofres e o que pesa na consciência.
E este segundo — o da culpa — é o que arde no inferno do Estado.
Chamais “emenda” o que é rapina,
“gestão” o que é manobra,
“sigilo” o que é pecado.
Mas o ouro do povo, que é pão e remédio,
não se esconde sob sigilo — clama do sangue dos inocentes.
O Supremo Tribunal, por seus ministros e suas letras,
é hoje o púlpito da razão cívica:
julga, não por vingança, mas por lembrança.
Porque o crime do poderoso é o mesmo de Judas —
vendeu o justo por moedas de prata,
e ainda pediu foro privilegiado para se redimir!
Ó vós, que chamais desvio de “ajuste”,
que chamais propina de “contribuição de campanha”,
sabei: quem rouba do erário não furta cifras, furta destinos.
Não mata corpos, mas mata esperanças.
E que faz o Povo? Ora, o Povo sofre, paga e se cala.
Mas o silêncio do Povo é como o silêncio de Deus —
demora, mas não é ausência: é juízo que amadurece.
Virá o dia em que o ouro queimará os dedos que o tocaram,
e os cofres, abertos, exalarão o cheiro dos mortos da fome.
Virá o dia em que o sigilo será rasgado como véu do templo,
e o Supremo não julgará sozinho,
pois o Povo, senhor do seu suor,
estará à porta com a sentença escrita no olhar.
E então, Senhores da Pátria,
quando os anjos da Auditoria tocarem suas trombetas,
e os demônios das Emendas chorarem nos corredores,
que direis à História?
Direis que não sabíeis? Que era “erro do sistema”?
Não! Direis, enfim: “Devolvemos o que é do Povo.”
Mas será tarde — porque o perdão não se compra com devolução tardia.
A restituição justa não é esmola, é penitência.
E a verdadeira Justiça, essa que não se veste de toga,
há de nascer do arrependimento e da vergonha pública.
Amém! — que quer dizer: Assim seja o juízo, assim volte o ouro ao seu dono, assim lave-se a alma desta Nação.
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