Detalhes sobre a importância dessa renovação e o papel da China nesse tabuleiro:
1. Por que um novo acordo é tão importante?
A ausência de um tratado como o New START cria um vácuo de segurança global por três razões principais:
Fim da Transparência: O New START permitia inspeções in loco e troca constante de dados. Sem ele, Washington e Moscou voltam a "operar no escuro", dependendo apenas de satélites para adivinhar as capacidades do outro, o que aumenta o risco de erros de cálculo e ataques preventivos.
Corrida Armamentista Sem Limites: O tratado limitava cada lado a 1.550 ogivas nucleares prontas para uso. Sem essas algemas, não há nada que impeça um crescimento exponencial da produção de ogivas e mísseis intercontinentais (ICBMs).
Novas Tecnologias: O acordo anterior não cobria tecnologias modernas, como torpedos nucleares autônomos (Poseidon) ou mísseis de cruzeiro hipersônicos. Um novo tratado seria a chance de atualizar as regras para o século XXI.
2. A China participará?
Até o momento, não há resposta positiva. A participação chinesa é o ponto de divergência entre as potências:
A exigência dos EUA: O governo americano (sob Donald Trump em 2026) insiste que qualquer novo tratado deve ser trilateral. O argumento é que a China está modernizando seu arsenal em um ritmo acelerado e não pode mais ser deixada de fora das limitações.
A recusa de Pequim: A China rejeita categoricamente participar de um controle de armas "estilo New START". Pequim argumenta que seu arsenal (estimado em cerca de 600 ogivas) ainda é uma fração do tamanho dos estoques de EUA e Rússia (que possuem cerca de 5.000 cada).
A posição russa: A Rússia afirma que só aceita incluir a China se as potências nucleares da OTAN (Reino Unido e França) também forem incluídas nas limitações, o que complica ainda mais as negociações.
Situação Atual (Fevereiro de 2026)
Embora o tratado tenha expirado, houve sinais de pragmatismo nos últimos dias:
Moratória Informal: A Rússia declarou que manterá os limites do New START voluntariamente, desde que os EUA façam o mesmo.
Diálogo em Abu Dhabi: Recentemente, negociadores de ambos os países se reuniram nos Emirados Árabes para negociar uma extensão temporária (de cerca de 6 meses) enquanto discutem um substituto permanente.
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